Pôr do Sol do redário

Um destino surpreendente chamado Pirenópolis

Procurando um destino para conhecer no próximo feriado? Então fique de olho nas passagens, prepare as malas e vamos para Pirenópolis!!!

Nesse post contaremos como foi a nossa viagem de 3 dias nesta cidade repleta de atrações para nenhum amante da natureza botar defeito. Vamos lá? 🙂

Chegando em Pirenópolis!

Pirenópolis, ou Piri para os íntimos, está localizada a cerca de 150 km de Brasilia ou de Goiânia. A gente voou para Brasilia simplesmente porque o preço da passagem estava mais em conta. De lá, alugamos um carro (recomendo!!!) e dirigimos por 2 horas pela BR-070. A estrada é boa, e fizemos a viagem de noite sem problema algum. Ela é bem escura, então vá com a atenção redobrada, e fique esperto com os radares, principalmente na saída de Brasília.

Chegando na cidade, ela estava bem cheia, com muitos turistas passeando, restaurantes fervendo, ruas interditadas. Apesar de Piri não receber tantos turistas de outros estados, logo vimos que é um destino bastante comum para as pessoas de Brasília e região. Diferente da Chapada dos Veadeiros, por exemplo, que encontramos gente de tudo quanto é lugar, em Pirenópolis, todo mundo que conhecemos era de Goiânia, Brasília ou Anápolis.

Como estávamos exaustos da viagem, fomos direto para a Pousada Casanostra, que achamos via AirBnB a um preço bastante justo, e fomos recepcionados com muita simpatia pelo anfitrião Alexandre. O espaço dele é muito bem localizado, bem pertinho do centro, mas não o suficiente para o barulho incomodar; a rua em si é bem tranquila. Além disso, o espaço também tem uma ótima área para camping! Recomendo!

Dia 1: Trilha do Abade, Cachoeiras Lazaro e Santa Maria

Sejamos sinceros: a gente foi para Pirenópolis por conta dos atrativos naturais, trilhas e cachoeiras. Sim, a cidade é uma belezinha, tem a Igreja Matriz, o coreto, as casas coloniais. Mas a nossa pegada é estar no meio do mato. Então saímos logo cedo para a nossa primeira trilha, que era a do Abade. E aqui cabe uma outra confissão: durante as nossas pesquisas na Internet, pensamos que 3 dias lá seria mais que suficiente para conhecer tudo o que Pirenópolis tinha a oferecer em termos de natureza, pois os atrativos não pareciam ser tão promissores. Engano nosso… eles são magníficos e ao vivo e a cores são muito mais encantadores do que as fotos nesse post ou no Google Images!

A Reserva do Abade tem uma trilha bem curtinha para a cachoeira que dá nome ao lugar. No entanto, tem uma outra trilha maior, de 2,5km, que passa por outras 3 cachoeiras menores. A trilha é bem fácil, toda calçada com pedras, corrimão em partes íngremes, pontes de madeira. E o visual dela é fantástico! Apesar do alto movimento de turistas no feriado, pegamos as cachoeiras praticamente vazias, com exceção da Cachoeira do Abade, que estava bem cheia (a foto abaixo, sem ninguém, foi um momento bem raro! hehe).

Cachoeira do Sossego
Cachoeira do Sossego
Cachoeira do Landí
Cachoeira do Landí
Cachoeira do Canion
Cachoeira do Canion
Cachoeira do Abade
Cachoeira do Abade

Saímos da Cachoeira do Abade já na hora do almoço, e o local oferece uma refeição deliciosa a R$ 35,00 por pessoa. Ótima pedida!

Enquanto almoçávamos, aquele céu azul começou a nublar, e sentimos que era hora de nos apressarmos. Partimos para as Cachoeiras do Lázaro e Santa Maria, bem pertinho dali, e os primeiros pingos de chuva já caíam ainda na estrada. Quando chegamos na Cachoeira Santa Maria, após uma trilha curta de 10 minutinhos do estacionamento, o céu desabou! Os salva-vidas pediram para que todos saíssem da água e se abrigassem em uma cabana ali do lado, e então pudemos ver a cara de frustração de muitos turistas. Alguns, observando o volume de água que caía do céu, perdiam qualquer esperança de uma melhora no tempo, e corriam de volta para os carros a cada mínima trégua de São Pedro.

Mas na mesma velocidade que a chuva veio, ela foi embora. Quinze minutos foi o tempo que esperamos no abrigo até sentirmos que ela logo pararía, e antes disso acontecer, nos aventuramos na trilha de 1,5 km para a Cachoeira Lázaro. Chegamos lá juntos apenas com um outro casal, e por alguns minutos tivemos todo aquele paraíso só para nós! Nem as águas barrentas da chuva conseguiram estragar a beleza do local. Pouco depois, começaram a chegar as dezenas de turistas…

Cachoeira Lazaro
Cachoeira Lazaro

Voltando pela mesma trilha, fomos novamente para a Cachoeira Santa Maria, mas o poço estava interditado para banho devido ao risco da tromba d’água. Já havia pouca gente, e ficamos por lá até o horário limite da visitação, quando os salvas vidas solicitaram a nossa retirada.

Cachoeira Santa Maria
Cachoeira Santa Maria

Na volta para a cidade, ainda paramos no Mirante do Ventilador, que fica na estradade volta a Pirenópolis, e dali assistimos a um lindíssimo Pôr-do-Sol, junto com alguns outros turistas que pararam para apreciar esse espetáculo da natureza. Dentre os carros, estava o Paulo, que deixou o som do carro rolando um Pink Floyd enquanto o sol ía se escondendo atrás das montanhas. Perfeito!

Mirante do Ventilador
Mirante do Ventilador

Dia 2: Cachoeira dos Dragões e Cachoeira do Rosário

No segundo dia saímos bem cedo da pousada para conhecer as famosas Cachoeiras dos Dragões, na nossa opinião, o destino mais imperdível de Pirenópolis, apesar de ser relativamente longe da cidade. Trata-se de um circuito de 4,5 km que passa por 8 cachoeiras dentro de um mosteiro Zen Budista. A trilha não é tão acessível quanto as do dia anterior, pois são mais rústicas, e existem trechos de subida e descida, mas ainda assim é bem tranquila.

A estrada que leva ao local é irregular, e o motorista deve tomar cuidado com as pedras pontiagudas da estrada, que podem acabar rasgando os pneus. O segredo é ir com calma e não correr muito. Existe uma travessia de água, e por isso recomenda-se um carro alto, mas não acho que seja necessário… basta não parar o carro no meio do riacho, que qualquer veículo passa tranquilamente.

Travessia de rio no caminho para a Cachoeira dos Dragões
Travessia de rio no caminho para a Cachoeira dos Dragões

Fomos os primeiros a chegar no local, e a trilha ainda não estava aberta. Fomos recepcionados pela Ro-San, que nos deu algumas explicações e orientações sobre a trilha, assim como a simbologia das 8 cachoeiras. Segundo ela, cada cachoeira representa a superação de uma etapa, sendo assim, cada cachoeira tem a origem do nome de acordo com o desafio da trilha e característica da queda d’água. Ela nos contou brevemente sobre a mitologia da carpa que, nadando contra a correnteza, é capaz de escalar uma queda d’água, simbolizando a perseverança, determinação e disciplina. Outra referência que ela mencionou, e que achamos engraçada, foi o desenho Dragon Ball Z. Quem é fã vai se lembrar das 8 Esferas do Dragão, que quando juntas, tem o poder de convocar o Dragão ShenLong e assim, fazer-lhe um pedido. Ro-San explanou sobre a jornada que se percorre em busca de cada uma das das realizações de nossas vidas, simbolizadas pelas esferas, para que possamos concluir uma missão e alcançar algo que almejamos, simbolizada pelo desejo concedido pelo Shen Long. Ela mesma trilha este circuito diariamente como uma forma simbólica – ou literal – de meditação, superação e realização.

Como chegamos cedo, pegamos as primeiras cachoeiras praticamente vazias, mas conforme os grupos íam nos passando, a partir da quinta cachoeira começamos a encontrar bastante gente, mas nada absurdo.

Confira abaixo as 8 cachoeiras!

Cachoeira 1: Portão do Dragão
Cachoeira 1: Portão do Dragão
Cachoeira 2: Dragão Azul
Cachoeira 2: Dragão Azul
Cachoeira 3: Pérola do Dragão
Cachoeira 3: Pérola do Dragão
Cachoeira 4: Nuvens do Dragão
Cachoeira 4: Nuvens do Dragão
Cachoeira 5: Dragão Verdadeiro
Cachoeira 5: Dragão Verdadeiro
Cachoeira 6: Dragão Voador
Cachoeira 6: Dragão Voador
Cachoeira 7: Dragão do Céu
Cachoeira 7: Dragão do Céu
Cachoeira 8: Rei dos Dragões
Cachoeira 8: Rei dos Dragões

Neste dia, a ideia era ainda visitarmos outras 3 cachoeiras: do Rosário, Paraíso e das Araras, que ficam próximas umas das outras. Mas acabamos saindo da dos Dragões para lá da hora do almoço, então comemos apenas um lanche, e optamos por uma das três cachoeiras: a do Rosário. Não sabemos como são as outras duas, mas não nos arrependemos em nada da nossa escolha, porque foi a trilha mais linda que fizemos nessa viagem. Aliás, uma dica: leve lanche para o circuito dos Dragões, pois a trilha leva em média 4h (a gente levou 6h) e não possui restaurante ou lanchonete. E outra dica, aliás, lembrete: recolha os seus resíduos.

Começamos a trilha do Rosário com um poço de 4m de profundidade, bem pertinho da entrada. O local estava quase vazio, porque apesar de o estacionamento estar cheio, a maioria dos visitantes já estava almoçando ou se preparando para partir. Ficamos um tempo nos refrescando nessa piscina natural, mas logo já pegamos a trilha para a Cachoeira, famosa pela queda de 42 metros!

O trecho até a cachoeira também foi curto, por uma trilha bastante fácil. E quando chegamos lá, o visual foi simplesmente de tirar o fôlego. Através de uma pequena passarela de pedras e cordas de apoio, é possível chegar debaixo da queda maior, e sentir a força das águas. É de lavar a alma!

Cachoeira do Rosário
Cachoeira do Rosário

A trilha mais a frente da cachoeira, de volta para o ponto de origem é tão encantadora quanto a queda d’água. Beirando o rio, passando por pedras, cânions, riachos e florestas com musgo, caminhamos sozinhos por alguns quilômetros ao som das águas e canto dos pássaros. Recomendo fazer esta trilha com bastante calma para contemplá-la e aguçar os sentidos.

Trilha da Cachoeira do Rosario
Trilha da Cachoeira do Rosario

Quando chegamos da trilha, estávamos nós e os funcionários do estabelecimento arrumando o local após um dia movimentado. Elogiamos muito o passeio, e fomos convidados a assistir ao pôr do sol do redário, que possui uma vista privilegiada para as montanhas. E mais uma vez ficamos apreciando esse espetáculo até começar a escurecer.

Pôr do Sol do redário
Pôr do Sol do redário

Tínhamos um longo caminho até a cidade de Pirenópolis, e enquanto dirígamos na escuridão da estrada, as estrelas foram surgindo ao topo de nossas cabeças, de vez em quando olhávamos lá para cima e sentimos que precisávamos dar uma pausa para dar a devida atenção àqueles pontos brilhantes. Foi irresistível! Paramos o carro num cantinho para registrar a Via Láctea que se iluminava sobre as nossas cabeças. Foi para fechar a noite com chave de ouro!

Via Láctea vista da estrada
Via Láctea vista da estrada

Dia 3: Cachoeira Usina Velha e Meia-Lua

No terceiro e último dia, fizemos passeios mais próximos da cidade, pois tínhamos que partir depois do almoço para pegar o vôo no final da tarde. Essas duas cachoeiras foram indicações do Alexandre, nosso anfitrião no AirBnB, e a sugestão foi mais que ótima, porque nem estávamos considerando essas duas cachoeiras no nosso roteiro.

A Cachoeira da Usina Velha e da Meia-Lua ficam bem próximas uma da outra, mas são em portarias diferentes. Entramos pela Usina Velha, que estava recebendo um lindo sol da manhã que banhava a paisagem com seus raios filtrados pelas árvores, gerando verdadeiras cortinas de luz. Havia poucos turistas naquele horário, mas sabíamos que a cachoeira começaria a saturar em breve, gente chegando com caixas térmicas, comida e bebida. Por serem cachoeiras grandes, sem trilhas longas, e próximas à cidade, percebemos que são os locais preferidos por turistas da região que querem só passar o dia agradável em contato com a natureza.

Cachoeira Usina Velha
Cachoeira Usina Velha

Assim foi também a Meia-Lua, que visitamos logo depois. Quando chegamos lá, o movimento já estava bastante grande. Mas a cachoeira é tão distribuída com suas várias quedas e poços, que os visitantes não chegam a se aglomerar. Todo mundo consegue aproveitar bem o espaço!

Cachoeira Meia-Lua
Cachoeira Meia-Lua

Na Meia-Lua demos os nossos últimos mergulhos, nos despedindo desse destino maravilhoso do nosso Brasil. Foi a região Centro-Oeste novamente nos surpreendendo com a sua beleza exuberante.

Quanto ficou?

Não precisa de guia para nenhum desses atrativos citados acima. No entanto, por serem propriedades particulares, cobra-se a entrada em todos eles. Abaixo a lista de valores por pessoa que encontramos em maio de 2017:

  • Cachoeira do Abade: R$ 25,00
  • Almoço na Cachoeira do Abade: R$ 35,00
  • Cachoeira Lázaro e Santa Maria: R$ 20,00
  • Cachoeira dos Dragões: R$ 40,00
  • Cachoeira do Rosário: R$ 45,00
  • Cachoeira Usina Velha: R$ 25,00
  • Cachoeira Meia-Lua: R$ 25,00

Para os jantares, a cidade oferece diversas opções turísticas em uma ruazinha charmosa com mesas na calçada e música ao-vivo. Para quem gosta de mais agitação, é um prato cheio! Apesar de o ambiente ser agradável, a gente optou por estabelecimentos mais locais e humildões, como o famoso Empadão Goiano, que comemos em uma casinha em frente ao Cinepirineus. Não sabemos o nome, mas a faixada dizia que o local produzia essa iguaria há 25 anos! Outra pedida é a própria praça do Coreto, com suas várias barraquinhas de churrasquinho, sopa, doces… bem agradável para passear no final de noite.

Se você leu esse post e ficou com vontade de ir, tenha em mente que o nosso esquema de passeio é um pouco mais lento que a média. Fazemos tudo com muita calma, pausas para fotos, contemplação e conexão com a Natureza! Se você for um pouco mais rápido, provavelmente consiga encaixar outras cachoeiras nesse roteiro e o próprio Centro Histórico!

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